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A brasilidade poética de Caetano Veloso

Natural de Santo Amaro da Purificação (BA), Caetano Emanuel Vianna Telles Veloso nasceu em agosto de 1942. O compositor é um dos mais importantes artistas vivos do Brasil e foi uma das mentes brilhantes por trás da Tropicália. E isso acontece porque a brasilidade poética de Caetano, artista emblemático da MPB, se expressa em letras inteligentes e arranjos que inspiram a sensualidade. Sempre com as raízes da nossa música como característica marcante das composições que inspiram o mundo até hoje. 

Ainda adolescente, Caetano se mudou com a família para Salvador (BA) onde despertou interesse pela música do também baiano João Gilberto. Em 1963, quando ingressou na faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia – UFBA, já tocava violão e cantava com a irmã Maria Bethânia na noite da cidade.  Foi então que Caetano conheceu outros músicos que se tornaram amigos com quem teve grandes parcerias. Entre eles, Gilberto Gil e Gal Costa, com quem ele gravou, em 1967,  “Domingo”, seu primeiro album. No mesmo ano, surgia neste cenário o movimento “Tropicália”. 

Movimento Tropicália

O estilo incorpora ritmos regionais, referências do rock psicodélico a letras repletas de ironia e poesia acerca de temas sociais. O álbum “Tropicália: ou Panis et Circenses”  trazia uma provocante mistura de movimentos musicais e culturais brasileiros das décadas de 1950 e 1960. Havia referências tanto da Bossa Nova como da Jovem Guarda. Mas as composições carregadas de críticas ao momento de ditadura política também era considerado ameaçador pelos militares.

O disco de estreia solo “Caetano Veloso” chegou em 1968. A canção “Alegria, alegria” se firmou como uma dos ícones da contracultura no Brasil e garantiu a ele uma legião de fãs e admiradores. Entretanto, apesar de (ou “por causa de”) tanto sucesso, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos sob os termos do AI-5 que restringiu a liberdade de expressão no país. Em julho de 1969, ele e Gil foram autorizados a exilar-se em Londres, onde permaneceram músicos ativos. No entanto, o movimento Tropicália perdia sua maior força motriz com a ausência deles no Brasil. 

Exílio

De Londres, Caetano passou a colaborar como articulista do jornal “O Pasquim” além de compor para intérpretes como Gal Costa (London, London), Maria Bethânia (‘A Tua Presença’) e Elis Regina (‘Não Tenha Medo ‘). Ele também gravou um disco próprio com seis canções escritas em inglês. No documentário “Narciso em Férias”, exibido no Festival de Veneza 2020, o cantor faz um relato sobre esse período. 

Embora Tropicália tenha acabado como movimento, em 1972, Caetano e Gil voltaram ao Brasil e seguiram suas produções musicais. Não demorou para se juntarem a Gal Costa e Maria Bethânia para formar o “Doces Bárbaros.” Na década seguinte, 1980, Caetano já figurava como um ícone da nossa música e fazia turnês  internacionais chamando atenção da comunidade artística mundial apesar de cantar em português temas tão brasileiros.

Caetano vem desde o início da carreira produzindo um acervo invejável com álbuns como “Livro” de 1997 que ganhou o Grammy daquele ano. Em 2001 ganhou mais um Grammy pelo disco em parceria com João Gilberto “João, voz e violão”. Voltou a ser indicado em 2017 ao Grammy pelo disco “Dois amigos, um século de música” em parceria com Gilberto Gil. 

A brasilidade poética de Caetano transcende a música. O cantor e compositor dirigiu o filme experimental “O cinema falado” (1986), e publicou os livros Alegria, alegria (1977) e o livro de memórias Verdade Tropical (1997). Em 2012, Caetano foi eleito “a pessoa do ano” da Academia Latina da Gravação.

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